
Obedy Edom Melo Silva, de 28 anos, teve ferimento profundo no pescoço e também machucou a mão ao tentar se livrar do fio. Caso ocorreu no bairro Sobral, em Rio Branco.
O jardineiro e motociclista de aplicativo Obedy Edom Melo Silva, de 28 anos, sofreu um corte profundo no pescoço após ser atingido por uma linha de pipa com cerol ao trafegar na Rua Dezenove de Outubro, no bairro Sobral, em Rio Branco, nessa terça-feira (11).
Em vídeo postado nas redes sociais, o trabalhador relatou que quase foi degolado. “Nasci de novo. É só agradecer a Deus e alertar a galera a comprar uma antena, pois se o cara vacilar já sabe como essa história termina: é caixão e vela preta”, disse.
Ele contou que havia deixado um colega e seguia sozinho de volta para casa quando percebeu que a linha descia logo à frente do veículo. Obedy disse que ainda freou, mas não conseguiu desviar.
“Eu já sofri acidente, já bati em carro, e em nenhuma das vezes foi tão louco como dessa vez. Quando a linha pegou no meu pescoço, parece que foi mais perto da morte possível. O cerol parecia navalha, ainda botei a mão direita para tentar cortar, mas acabei cortando o dedo também”, contou.
O cerol é uma mistura artesanal de cola com vidro moído aplicada à linha de pipas para aumentar o poder de corte durante disputas com outras pipas. O uso da substância é proibido devido ao alto risco de acidentes, principalmente com motociclistas e ciclistas, além de pedestres e animais. Quando esticada, a linha com cerol pode provocar ferimentos graves e até fatais.
O homem pontuou ainda que foi puxado pelo fio por cerca de 2 metros, o que gerou momentos de de desespero. Na hora, o motociclista só pensou na família e nas filhas de 7 e 2 anos.
Obedy, mesmo ferido, pilotou até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Sobral. O homem justificou que não acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pois teve medo de demora.
“É tanto desespero que a gente não consegue nem pensar. Lembro que veio na memória toda a minha família. Eu gritei de desespero e os outros motoristas que passavam não entendiam o que estava acontecendo. Eu vi minha vida indo embora ali”, acrescentou.

Não registrou boletim de ocorrência
Obedy ressaltou que não viu quem soltava a pipa no momento em que foi atingido. Contudo, depois do acidente, avistou duas crianças que deixaram uma pipa na rua próxima ao ponto do acidente. O motociclista não registrou um boletim de ocorrência.
“Eram uns meninos que tinham entre 10 e 12 anos. Eles vinham olhando um para o outro, Eu já gritei logo: ‘Vocês estão doidos, iam me matando por causa desse cerol’. Só que eu já estava nervoso e o sangue descendo, então preferi ir ao hospital”, acrescentou.
Quando teve o ferimento estabilizado, o homem relatou a situação em um grupo de motoboys que, segundo ele, funciona como uma rede de apoio.
“Antes de avisar a família, a gente avisa dentro do grupo. O grupo é grande e geralmente tem alguém próximo para dar suporte. Não tem como se prevenir de uma coisa dessas. A gente sabe que a lei não abrange muito a gente. No final, a gente fica de frente com o perigo”, lamentou.
Com informações G1/Ac
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