
Um professor de 55 anos foi preso suspeito de estupro de vulnerável contra cinco estudantes no município de Jordão, no interior do Acre, nesta quarta-feira (28). (Saiba como denunciar casos de abuso contra menores mais abaixo)
Ao g1, a Secretaria de Educação e Cultura do Acre (SEE-AC) informou, por meio de nota, que já havia instaurado procedimento administrativo disciplinar para apurar as denúncias. (Leia na íntegra no final da reportagem)
Já a defesa do professor comunicou que vai recorrer da prisão preventiva ‘por entender que a medida é desarrazoada, desproporcional e não contemporânea aos fatos’. Para a defesa, a divulgação da prisão caracteriza uma espetacularização do processo penal, uma vez que o processo tramita em segredo de Justiça. O professor nega o crime. (Veja nota na íntegra abaixo).
Ainda segundo a defesa, a SEE-AC chegou a instaurar um processo administrativo, contudo, não reconheceu a existência de crime e o professor levou uma advertência. “A defesa confia na Justiça e seguirá atuando, dentro dos autos, para demonstrar a inocência do acusado e restabelecer a sua liberdade”, destacou.
Segundo a Polícia Civil, no ato da prisão, foi identificado outro inquérito em andamento contra o suspeito pelo mesmo crime contra uma aluna de 13 anos. O caso em questão ocorreu na Comunidade Rio de Janeiro, no mesmo município. No total, cinco meninas foram vítimas do suspeito.
Ainda de acordo com a polícia, as investigações tiveram início em julho após a mãe de outra adolescente de 13 anos formalizar denúncia contra o homem. A vítima, inclusive, chegou a enviar mensagens de texto relatando a situação.
A partir disso, as investigações sobre a conduta do professor, em uma unidade da rede estadual de ensino da cidade, começaram a ser aprofundadas.
No decorrer das investigações, surgiram informações sobre outras três que também teriam sido alvo de comportamento envolvendo conotação sexual e contatos físicos indevidos em sala de aula. Os relatos passaram a integrar as investigações.
“Tem várias denúncias contra ele e representamos pela prisão. Fazia a abordagem também na sala de aula. Já tinha um procedimento anterior, em julho a adolescente de 13 anos denunciou para a mãe, que foi à delegacia. A partir dessa denúncia surgiram outras vítimas”, destacou o delegado responsável pelas investigações, José Ronério.
Ainda conforme o delegado, todas as vítimas são da mesma escola. Ronério explicou que as vítimas ainda não prestaram um depoimento completo, por isso, não é possível saber todos os crimes que podem ter sido praticados pelo suspeito.
“Não foi feito também o interrogatório dele. Cumprimos o mandado de prisão preventiva contra ele, vai passar por audiência de custódia e depois deve ser ouvido”, disse.
Conforme o delegado, o professor continuava no exercício da função, mesmo após as denúncias de julho. Além da prisão, a polícia também pediu o afastamento cautelar do suspeito.
“Existiu um procedimento administrativo da Secretaria Estadual, mas continuava dando aula. Ele será transferido para o presídio de Tarauacá”, finalizou.
Nota da defesa do professor
A Defesa de R.P.O., preso na manhã desta quarta-feira (28) no município de Jordão/AC, representada pelo advogado Ribamar de Sousa Feitoza Júnior (OAB/AC 4.119), vem a público esclarecer o seguinte:
Recurso contra a prisão preventiva. A defesa vai recorrer da prisão preventiva decretada, por entender que a medida é desarrazoada, desproporcional e não contemporânea aos fatos.
Divulgação indevida da prisão. O processo tramita em segredo de justiça. Ainda assim, a prisão foi exposta ao público. Isso é mais do que uma espetacularização do processo penal: é uma tentativa de punir e condenar antecipadamente o acusado, em total desrespeito às garantias constitucionais, em especial à presunção de inocência. Pela Constituição, ninguém pode ser considerado culpado antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória.
Danos irreparáveis. Expor o acusado antes de qualquer julgamento causa danos que não se desfazem. Se ele for absolvido ao final, quem vai reparar a honra de quem já foi condenado pelo tribunal da internet? Toda história tem dois lados, e o dele ainda não foi ouvido.
O processo administrativo. Os mesmos fatos foram apurados em processo administrativo pela Secretaria de Estado de Educação, que não reconheceu a existência de crime. O resultado foi apenas uma advertência.
As testemunhas. Segundo a própria acusação, os fatos ocorreram dentro da sala de aula, na presença de testemunhas. Essas testemunhas foram ouvidas no processo administrativo e não confirmaram os fatos.
A defesa confia na Justiça e seguirá atuando, dentro dos autos, para demonstrar a inocência do acusado e restabelecer a sua liberdade.
Ribamar de Sousa Feitoza Júnior Advogado – OAB/AC 4.119 Feitoza Farias Advocacia
Nota da SEE-AC
O governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), informa que já havia instaurado procedimento administrativo disciplinar para apurar denúncias envolvendo o servidor Raimundo Pereira Oliveira, que atuava como professor na rede estadual de ensino, no município de Jordão.
Durante a apuração, o servidor foi afastado das atividades docentes, com restrição de acesso à unidade escolar. O procedimento foi concluído neste mês de outubro, com a aplicação das medidas disciplinares cabíveis. Atualmente, o servidor está lotado na representação da SEE no município de Jordão, ratificando, com restrição de acesso ao local em que atuava anteriormente.
Rio Branco-AC, 28 de outubro de 2026.
Reginaldo Prates
Secretário de Estado de Educação e Cultura
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