Saída de gado vivo do Acre cai 22,5% em junho e preocupa produtores; abates crescem 5,7% no semestre

Foto: Reprodução
Redução inédita em 2026 pode estar ligada à cota de exportação da China; com mais animais nos pastos, preço da arroba tende a cair, alerta Faeac

O gado que antes seguia para outros estados está ficando nos pastos do Acre. De acordo com o Boletim Técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac), houve uma redução inédita de 22,5% na saída de bovinos vivos do estado em junho, comparado a maio deste ano.

O dado é inédito em 2026. Redução semelhante aconteceu em outubro do ano passado, quando saíram 32.390 animais. Em maio, foram comercializados 35.838 animais; em junho, o número caiu para 27.771. Na comparação com junho de 2025, a retração foi ainda maior: 29,09%.

O indicador é importante quando associado ao cenário nacional. A saída menos intensa de gado do Acre pode estar relacionada ao comércio do Brasil com a China, o maior comprador da carne brasileira. O país já alcançou a cota chinesa, o que significa que a medida de salvaguarda só liberará novas importações da carne brasileira em 2027. Até que o Brasil encontre um substituto para exportar, o gado vai ficando represado nos pastos — essa é uma possível explicação.

Cenário de alerta para o produtor

Esses números constroem um cenário de crise para o produtor de carne acreano. Mantida a tendência de acúmulo de animais no pasto, o preço da arroba tende a cair.

“As saídas de bovinos vivos já somam 191.712 cabeças em 2026, 10,2% a mais que o mesmo período de 2025, quando totalizou 173.992 cabeças”, informa o boletim, que tem como referência o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf).

O que continua alto é a transferência de animais vivos para o mesmo proprietário. Em junho, das 27.771 cabeças que saíram do estado, 19.125 (68,9%) foram para o mesmo proprietário, enquanto 8.646 (31,1%) foram para proprietários diferentes.

No acumulado do primeiro semestre de 2026, as exportações de carne bovina do Acre somaram 3.155,66 toneladas e US$ 16,1 milhões. “É um desempenho superior ao registrado no mesmo período de 2025, que totalizou 2.340,08 toneladas e US$ 10,3 milhões”, diz o boletim.

Material de referência geográfica

Abates crescem 5,7%

Os abates contabilizados pelo Idaf mostram que, em 2026, o Acre já abateu 338.109 cabeças — 5,7% a mais que no mesmo período do ano passado. Só em junho, foram 54.783 cabeças abatidas, 1,8% a mais que em maio. As fêmeas continuam sendo as mais abatidas, com 57,5% do total.

O Acre já somou 338.109 cabeças abatidas em 2026, 5,7% a mais que o mesmo período de 2025 quando totalizou 319.960 cabeças.

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