
Estado produziu 496 mil toneladas em 2024 e superou média nacional; caso da farinha com Indicação Geográfica em Cruzeiro do Sul ilustra potencial de valorização. Desafios em assistência técnica e crédito ainda travam produtores
O Acre aparece entre os estados da Amazônia Legal com melhor produtividade de mandioca, segundo o estudo Agricultura na Amazônia Legal. Em 2024, o estado produziu cerca de 496 mil toneladas da raiz, com rendimento médio de 22,7 toneladas por hectare, acima da média brasileira, de 15,46 toneladas por hectare.
Turismo no Acre
O desempenho coloca o Acre ao lado de estados como Paraná, Mato Grosso do Sul e Rondônia entre os que ultrapassaram a marca de 20 toneladas por hectare. A mandioca respondeu por 39% do valor da produção agrícola estadual em 2024, consolidando-se como o principal produto do campo acreano.
Valorização da farinha e Indicação Geográfica
O relatório atribui o resultado acreano a uma cadeia baseada na produção de farinha artesanal e na valorização da origem do produto. Um exemplo é a Indicação Geográfica da farinha de Cruzeiro do Sul, construída ao longo de 12 anos com apoio da Embrapa. O processo envolveu delimitação da área, georreferenciamento, definição de regras e organização dos produtores.
Dados da Embrapa mostram que, no terceiro ciclo de monitoramento, 70% das amostras de farinha foram classificadas como Tipo 1 — ante apenas 13% em levantamento anterior. O preço da saca passou de cerca de R$ 50 para R$ 120.
Estrutura fundiária e assentamentos
O Acre também possui participação expressiva na estrutura de assentamentos da Amazônia Legal. Dados do Incra apontam que, em 2026, o estado tinha 168 projetos de assentamento — 116 tradicionais e 52 diferenciados — reunindo 35.786 famílias em uma área de aproximadamente 5,56 milhões de hectares.

Desafios da agricultura familiar
Apesar do desempenho na produtividade, o estudo mostra que a realidade dos pequenos produtores amazônicos ainda é marcada por dificuldades de acesso a assistência técnica, crédito e mercados. Na região Norte, apenas 10% dos estabelecimentos rurais recebiam assistência técnica em 2017, e somente 9% dos agricultores familiares tinham acesso a financiamento — contra 29% no Sul.
Esse cenário reforça a tese dos autores de que políticas voltadas à agricultura familiar não podem se limitar à oferta de crédito. É necessário combinar assistência técnica, infraestrutura, logística e regularidade de mercado para que o aumento da produtividade se traduza em renda.
Para o Acre, a experiência da farinha de Cruzeiro do Sul é apresentada como exemplo de como a qualificação e a valorização territorial podem agregar valor à produção rural. A produtividade de 22,7 toneladas por hectare coloca o estado entre os melhores desempenhos da Amazônia em mandioca em 2024, mas o avanço da agricultura familiar depende da superação dos gargalos estruturais que ainda marcam o meio rural amazônico.

A mandioca respondeu por 39% do valor da produção agrícola estadual em 2024, consolidando-se como o principal produto do campo acreano. Foto: captada





