Trabalhadores do Serviço Departamental de Estradas (Sedcam) e servidores municipais iniciaram, nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (13), o bloqueio parcial da Ponte Internacional que liga a cidade de Cobija, na Bolívia, a Brasiléia, no Acre. A paralisação foi convocada pela central sindical departamental em apoio às reivindicações da categoria.
De acordo com informações dos manifestantes, o protesto exigia a presença do Ministério da Economia e Finanças Públicas da Bolívia para negociar diretamente com os trabalhadores e buscar uma solução para o conflito laboral.
Suspensão temporária
Após poucas horas de bloqueio, houve uma reunião com representantes do governo federal boliviano. Fontes informaram que ficou acertada a presença do ministro, que se encontrava em La Paz, com previsão de chegada a Cobija depois das 17h (horário boliviano). Diante do compromisso, os manifestantes decidiram suspender temporariamente a paralisação.

A mobilização, segundo os trabalhadores, é uma forma de pressionar o governo boliviano a apresentar uma solução para o problema. Foto: Eldson Júnior
O bloqueio, ainda que breve, afetou a circulação de pessoas e veículos na principal rota de integração entre os dois países na região. A ponte é crucial para o comércio e o trânsito de trabalhadores, turistas, estudantes, comércio e viajantes entre Brasil e Bolívia no extremo oeste do Acre.
Um dirigente sindical, que preferiu não ser identificado, afirmou que a mobilização será retomada caso não haja avanços concretos no diálogo. “O bloqueio será montado novamente e será mantido por tempo indeterminado enquanto não houver um acordo que atenda às demandas dos trabalhadores afetados”, declarou.

Tensão trabalhista
A paralisação ocorre em meio a um cenário de instabilidade trabalhista no município. No final de fevereiro, a prefeita de Cobija, Ana Lucía Reis, foi detida ao desembarcar na cidade em decorrência de denúncias relacionadas ao não pagamento de benefícios sociais a trabalhadores municipais.
Na ocasião, o secretário de Planejamento do município explicou que as dívidas correspondem a benefícios sociais de gestões anteriores e que a prefeita enfrentava seis ordens de apreensão, sendo a maior delas uma demanda de 6 milhões de bolivianos por parte do sindicato de trabalhadores municipalistas.
A categoria aguarda agora a chegada do ministro para a reunião prevista no final da tarde desta sexta-feira, dia 13, que pode definir os rumos do movimento.
A Ponte Internacional que liga Cobija a Brasiléia é uma via crucial para o comércio e o trânsito de pessoas na fronteira. Autoridades brasileiras acompanham a situação e devem orientar viajantes sobre rotas alternativas enquanto perdurar o bloqueio.

Servidores aguardam chegada do ministro da Economia boliviano para tentar acordo e evitar interdição por tempo indeterminado. Foto: Eldson Júnior














