
A Frente Ampla pelo Acre formada pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), em conjunto com PSB e Podemos, homologou na noite desta quinta-feira (30), durante convenção em Rio Branco, as candidaturas de Thor Dantas (PSB) ao governo do Acre, da advogada Socorro Rodrigues (Podemos) como vice-governadora e de Jorge Viana (PT) ao Senado. O evento reuniu militantes históricos como Nilson Mourão, dirigentes partidários e lideranças da esquerda acreana, marcando o início oficial da campanha da chapa majoritária para as eleições de 2026.
Durante cerca de 20 minutos, o médico infectologista e professor universitário afirmou que sua entrada na política nasceu da experiência vivida na pandemia da Covid-19 e classificou a atual administração estadual como um governo marcado pela estagnação, pela falta de gestão e pelo enfraquecimento dos serviços públicos.
Thor iniciou a fala lembrando a infância em Rio Branco e fez questão de destacar suas raízes familiares, afirmando que sua história representa a de milhares de acreanos. “Filho da Concita Maia, que está ali, minha mãe, filho do Vicente Dantas, meu pai, que já se foi. Neto e sobrinho-neto de Mário Maia e sobrinho-neto do ex-governador Dantinhas. Eu sou cria de Rio Branco, cresci no Aviário, soltando pipa no campo do Independência e jogando bola no campo do Vasco”, pontuou.
O candidato também recordou a infância no Quinari, atual município de Senador Guiomard, onde, segundo ele, construiu parte das memórias da juventude. “Fui alfabetizado pela minha avó. Tenho muitos amigos do Quinari aqui. Brincava na Rua Laguna, soltando pipa e jogando bola”, destacou.
Thor contou que deixou o Acre ainda jovem para estudar medicina e permaneceu cerca de 13 anos fora do Estado. “Eu sempre quis estudar. Tive a felicidade de sair porque tive oportunidades. Minhas tias me receberam no Rio de Janeiro e a minha vida foi marcada pelas mulheres. Foi minha mãe, minha avó, minhas tias e, depois, minha esposa Fernanda. Fernanda, meu amor, obrigado”, observou. .
Thor afirmou que decidiu retornar ao Acre em 1998, motivado pelo desejo de construir a carreira profissional no estado onde nasceu. Segundo ele, o convite para integrar a equipe do então governador Jorge Viana foi decisivo. “Voltei para o Acre porque aqui estavam minha família, minhas memórias e minhas origens. Voltei em 1998, quando Jorge Viana assumiu o governo. Eu vinha cheio de sonhos e de conhecimento”, ressaltou.

Ele lembrou que apresentou a Jorge Viana um projeto considerado ousado na época: criar o curso de Medicina da Universidade Federal do Acre. “Eu tinha um sonho que quase ninguém acreditava que era possível. Disse ao Tião e ao Jorge: vamos fazer a Faculdade de Medicina no Acre. E ele acreditou”, pontuou.
Thor atribuiu aos governos da Frente Popular importantes avanços na saúde pública acreana. Durante esse período, ocupou cargos de direção no Pronto-Socorro, na Fundhacre e na Secretaria de Estado de Saúde. “A gente fez a Faculdade de Medicina, fez a primeira UTI, organizou todo o sistema de urgência e emergência, criou a hemodiálise, o Hospital do Idoso, o Hospital da Criança, o Unacon. Transformamos a saúde do Acre como nunca havia sido visto”, salientou.
Ao abordar a pandemia da Covid-19, Thor afirmou que aquele foi o momento que mudou completamente sua vida. O médico lembrou que contraiu Covid-19 antes do início da vacinação e chegou a ficar internado em estado grave. “Primeiro eu quase morri. Peguei Covid antes da vacina, antes da gente conhecer como tratar. Fui para a UTI e fiquei muito grave”, pontuou.
Na sequência, fez um dos ataques mais duros do discurso ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Mas enfrentei uma doença que acometeu o Brasil chamada bolsonarismo. Por causa do bolsonarismo estou aqui hoje. Tivemos quatro vezes mais mortos do que deveríamos ter tido por causa da incompetência, da violência e da irresponsabilidade daquele governo”, destacou.

Segundo Thor, foi naquele período que percebeu que salvar vidas dependia também da política. “Percebi que a minha medicina tinha chegado ao limite. A ajuda que faltava estava do outro lado do balcão. Era na política. Era na gestão pública”, afirmou.
Thor contou que participou diretamente do comitê estadual de enfrentamento à pandemia e afirmou que foi ali que concluiu que o governo Gladson Cameli não conseguiria entregar resultados. “Enquanto eu saía do hospital e ia para o comitê organizar leitos, oxigênio e equipes, percebi que os próximos anos do Acre seriam uma tragédia. A pessoa que governava o Acre não tinha a menor condição de governar o Estado”, pontuou.
Na avaliação do candidato, os últimos oito anos foram marcados pela piora dos principais indicadores. “Foram oito anos de estagnação. A violência aumentou. A educação piorou. A saúde piorou. Os indicadores sociais andaram para trás”, salientou.
Thor afirmou ainda que, embora Gladson seja uma pessoa cordial, não reúne perfil para administrar o Estado. “O Gladson pode até ser amigo de muita gente, pode tratar todo mundo bem, mas ele não leva o menor jeito para governar o Acre. O governo é um desgoverno. Nada funciona. Não tem água. Não tem ônibus. As pessoas precisam se humilhar para conseguir uma consulta ou uma cirurgia”, ponderou.
Na visão do candidato, isso acontece porque a política passou a servir interesses particulares. “A política foi sequestrada por pessoas que usam o poder em benefício próprio. Essa política está destruindo o nosso Acre”, observou.
Ao defender sua candidatura, Thor afirmou que a Frente Ampla pelo Acre reúne experiência administrativa e renovação política. “A única mudança de verdade somos nós. Somos a grande aliança de quem sabe cuidar do Acre com quem quer cuidar do Acre”, pontuou.
O candidato fez questão de citar Jorge Viana, Binho Marques, Sebastião Viana, Perpétua Almeida, Socorro Rodrigues e outras lideranças presentes na convenção. “Tenho muito orgulho de estar cercado dessas pessoas”, ressaltou.
Thor também dirigiu parte do discurso aos jovens e aos próprios filhos. Segundo ele, decidiu disputar o governo para impedir que novas gerações deixem o Estado. “Eu não quero que meus filhos e outros jovens precisem abandonar o Acre para realizar seus sonhos. Eu fiz questão de voltar para viver aqui. Não aceito que tanta gente precise ir embora”, destacou.
Na reta final da convenção, Thor convocou os militantes a ocuparem as ruas durante a campanha. Segundo ele, a eleição será decidida no contato direto com os eleitores. “Temos dois meses de campanha. Às ruas nos esperam. O acreano está esperando que a gente mostre o caminho da solução. Existe uma janela estreita para passar. Se todo mundo vier junto e empurrar com força, nós vamos passar por essa janela e chegar ao segundo turno”, pontuou.
Em um dos trechos mais polêmicos do discurso, Thor disse que não pretende esconder sua identidade ideológica. “Nós não temos vergonha de dizer quem somos. Temos orgulho de sermos de esquerda, de sermos progressistas e de defender o presidente Lula”, salientou.
O candidato também afirmou que a chapa representa a retomada de um projeto político interrompido no Acre. “Precisamos trazer o presidente Lula de novo para perto do Acre, eleger Jorge Viana para o Senado e tirar o governo das mãos da incompetência para colocá-lo novamente nas mãos de quem sabe cuidar das pessoas”, destacou.
Ao encerrar o pronunciamento, Thor pediu o apoio da militância para a campanha e afirmou que acredita na vitória. “Essa campanha não vai ser fácil. Vai ser uma luta de esquina em esquina. Mas a vitória nos espera porque ela é necessária para o Acre”, finalizou.
Jorge Viana defende união, relembra trajetória e diz que quer usar experiência para representar o Acre no Senado
O candidato ao Senado Jorge Viana (PT) afirmou durante discurso na convenção da Frente Ampla pelo Acre que pretende colocar sua experiência política a serviço do Acre e conduzir uma campanha voltada para o futuro, evitando confrontos com adversários. Ao falar para militantes e lideranças, o ex-governador relembrou sua trajetória na vida pública, fez um balanço dos governos da antiga Frente Popular e defendeu a construção de um novo projeto de desenvolvimento para o Estado.

Jorge iniciou o discurso lembrando os cargos que ocupou ao longo da carreira política e agradeceu aos acreanos pelas oportunidades recebidas. “Tenho uma experiência de vida que vocês me deram. Vocês me deram a oportunidade de ser prefeito de Rio Branco, de governar o Acre por dois mandatos e de ser senador da República”, pontuou.
O petista afirmou que carrega orgulho da trajetória construída ao longo dos anos e destacou as transformações realizadas durante os governos da Frente Popular. “Em todo lugar que eu vou, as pessoas agradecem pelo que nós fizemos. Tenho muito orgulho do nosso passado, dos tempos bons que vivemos e das mudanças que promovemos em cada cidade do Acre. Em cada lugar por onde passamos ficou uma obra, uma ação ou uma mudança que melhorou a vida das pessoas”, ressaltou.
Apesar de destacar o legado das gestões anteriores, Jorge afirmou que sua candidatura não está baseada na nostalgia, mas na construção de um novo futuro para o Estado. “Eu não vim aqui para ficar olhando para trás. O passado serve para dar força para a gente olhar para frente. O que nós precisamos construir agora é um ambiente novo para as próximas gerações”, destacou.

Durante o pronunciamento, o candidato demonstrou preocupação com a saída de jovens do Acre em busca de oportunidades em outros estados e disse que pretende trabalhar para mudar esse cenário. “Será que é correto que o único sonho de um jovem acreano seja encontrar um jeito de sair do Acre para conseguir uma oportunidade na vida? Eu não quero isso para os meus netos. Eu penso nos meus netos, mas penso também nos netos de todas as famílias acreanas”, ponderou.
Sem citar diretamente nomes de adversários, Jorge afirmou que o grupo político atualmente no poder teve todas as condições para promover mudanças, mas não conseguiu atender às expectativas da população. “Eles tiveram o presidente da República, os três senadores, o governo do Estado, praticamente todas as prefeituras e a maioria dos deputados. Tiveram oito anos com tudo nas mãos. Mas eu não estou aqui para cobrar ninguém. Isso ficou no passado. Eu não quero perder tempo olhando para trás. Quero ajudar a construir um Acre melhor”, observou.
O ex-governador disse que pretende colocar à disposição do Estado a experiência acumulada ao longo da vida pública, incluindo o período em que presidiu a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). “Sou uma pessoa experiente. Aprendi muito nessa caminhada. Recentemente estive na ApexBrasil, conheci o mundo, aprendi coisas novas. Quero colocar toda essa experiência a serviço do Acre”, reafirmou.

Ao falar sobre o tom da campanha, Jorge voltou a defender o diálogo como principal marca da candidatura e disse que pretende buscar convergências em vez de conflitos. “Em vez da briga, eu prefiro a união. Em vez da guerra, prefiro abraçar as pessoas e tentar construir aquilo que é comum entre todos nós”, ressaltou.
O candidato também fez referência ao jingle apresentado durante a convenção, afirmando que a mensagem simboliza o momento vivido pela campanha. “Essa música diz muito sobre o que estamos vivendo. Se o passado foi bom, ele deve servir de inspiração para construir um futuro ainda melhor”, pontuou.
Jorge agradeceu aos candidatos proporcionais e às lideranças que participaram da convenção, ressaltando que a campanha será construída coletivamente em todo o estado. “Quero agradecer a cada candidato a deputado federal, a cada candidato a deputado estadual e aos partidos que construíram essa aliança. Agora começa a campanha de verdade. Vamos fazer atos como este em todos os municípios do Acre”, ressaltou.
Ao encerrar o discurso, o candidato afirmou que percorrerá os 22 municípios durante a campanha e reforçou o compromisso de trabalhar para fortalecer a representação do Acre no Congresso Nacional. “Nós vamos estar em cada município, conversando com as pessoas e levando essa mensagem de esperança. Quero usar toda a experiência que adquiri ao longo da vida para defender o Acre e ajudar a construir um futuro melhor para o nosso Estado”, finalizou.
Com informações Ac24horas





