Disputa ao Senado no Acre fica embaralhada; Bittar lidera, Mara cresce sem Gladson e Jorge enfrenta rejeição

Foto: Reprodução
Pesquisa Delta/TVGazeta mostra Márcio Bittar com 18,84%; Gladson tem 16,60% e Jorge Viana, 14,07%. Sem o ex-governador, Mara Rocha salta para 17,20% e Bittar chega a 21,32%. Índice de rejeição de Jorge é o maior, com 24,95%

Com Pesquisa Delta/TVGazeta

A corrida por duas vagas ao Senado pelo Acre aparece cada vez mais embaralhada na pesquisa Delta, divulgada nesta quarta-feira (26) pela TV Gazeta. Os números mostram uma disputa marcada por três movimentos principais: a liderança de Márcio Bittar, o crescimento de Mara Rocha em um cenário sem Gladson Cameli e a dificuldade de Jorge Viana e Sérgio Petecão em transformar seus índices de intenção de voto em uma vantagem mais confortável.

Cenário com Gladson Cameli

No cenário em que Gladson Cameli aparece como candidato, Bittar lidera com 18,84%, seguido pelo próprio Gladson, com 16,60%. Jorge Viana aparece em terceiro, com 14,07%, tecnicamente empatado com Mara Rocha, que registra 12,77%, considerando a margem de erro.

Na sequência estão Sérgio Petecão, com 9,84%, Eduardo Veloso, com 5,82%, Júnior Feitosa, com 2,98%, e Inácio Moreira, com 1,24%. Brancos e nulos somam 3,63%, enquanto 14,21% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

O dado mais relevante, porém, está menos na fotografia da liderança e mais na instabilidade provocada pela situação jurídica e política de Gladson Cameli. A indefinição em torno da candidatura tende a produzir um efeito de desgaste sobre sua campanha, sobretudo porque a eleição para o Senado exige capacidade de manter presença constante durante todo o processo eleitoral.

Bittar, por outro lado, aparece beneficiado por uma campanha que vem sendo construída de forma contínua. O senador tem mantido uma agenda permanente e buscado diferentes segmentos do eleitorado, estratégia que pode ajudar a explicar sua vantagem nos dois cenários apresentados pela pesquisa.

Sem Gladson, Mara Rocha é quem mais cresce

A mudança mais significativa ocorre quando Gladson Cameli é retirado da disputa. Nesse cenário, Márcio Bittar amplia sua vantagem e chega a 21,32%. Mara Rocha salta para 17,20%, enquanto Jorge Viana aparece com 14,61%.

Sérgio Petecão também cresce e chega a 12,30%. Eduardo Veloso registra 6,51%, Júnior Feitosa, 3,48%, e Inácio Moreira, 1,49%. Brancos e nulos somam 4,77%, enquanto o percentual de eleitores que não souberam ou não responderam sobe para 18,49%.

O crescimento de Mara Rocha é um dos sinais mais importantes da pesquisa. A ex-deputada demonstra capacidade de absorver parte do eleitorado identificado com a direita quando Gladson deixa de figurar entre as opções. O movimento sugere que a ausência do ex-governador não significa apenas redistribuição automática dos votos: ela altera a própria configuração da disputa.

Nesse desenho, Bittar mantém a dianteira, mas Mara se aproxima e Jorge Viana permanece competitivo. A disputa, portanto, passa a ter contornos mais claros entre candidatos de campos políticos distintos, sem que nenhum deles consiga abrir uma distância suficientemente ampla para transformar a eleição em uma corrida previsível.

Jorge lidera rejeição; Petecão enfrenta desgaste

Outro indicador que chama atenção é a rejeição. Jorge Viana aparece com 24,95%, o maior índice entre os candidatos. Sérgio Petecão vem em seguida, com 17,59%.

Márcio Bittar registra 17%, enquanto Gladson Cameli aparece com 10%. Mara Rocha tem 8%, Eduardo Veloso e Inácio Moreira, 4,17% cada, e Júnior Feitosa, 2,39%. Outros 14,12% não souberam ou não responderam.

O número de Jorge Viana precisa ser observado com cautela. O petista continua apresentando força eleitoral, mas enfrenta o desafio de transformar sua histórica identificação com o eleitorado de esquerda em votos suficientes para ocupar uma das duas vagas.

A comparação com o desempenho de candidatos presidenciais do campo progressista também evidencia uma questão importante: a capacidade de transferência de votos não é automática. O eleitor pode votar em determinado candidato para um cargo majoritário e escolher outro nome para o Senado.

Situação de Gladson e cenário de indefinição

A situação de Gladson Cameli adiciona uma variável jurídica a uma disputa que já é eleitoralmente complexa. A manutenção de uma candidatura sob questionamento pode produzir insegurança entre os eleitores e dificultar a consolidação de uma campanha.

Caso o candidato permaneça na disputa até a eleição e posteriormente tenha o registro ou diploma atingido por uma decisão judicial definitiva, os efeitos sobre os votos e sobre a composição do Senado dependerão do tipo de decisão e do momento processual.

Esse ponto é especialmente relevante porque a pesquisa mostra que a presença ou ausência de Gladson modifica significativamente o desempenho dos demais concorrentes. Sua retirada fortalece principalmente Mara Rocha, mas também melhora os números de Bittar e Petecão.

Com 18,49% de indecisos no cenário sem Gladson, há ainda uma parcela expressiva do eleitorado a ser conquistada. Esse contingente, somado aos votos que podem migrar durante a campanha, torna especialmente importantes as últimas semanas.

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