Madeira doada para reforma da Ponte José Augusto há mais de um ano segue sem uso em Epitaciolândia

Em 3 de maio de 2025, entrega de madeira para a reforma das passarelas de pedestres da Ponte José Augusto, que liga os municípios de Epitaciolândia e Brasileia. Foto: Felipe Freire/Secom


Há mais de um ano, o governo do Estado, por meio do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), realizou a entrega de madeira para a reforma das passarelas de pedestres da Ponte José Augusto, que liga os municípios de Epitaciolândia e Brasiléia. A ação ocorreu em 3 de maio de 2025 e reuniu autoridades locais e estaduais, incluindo o então ex-governador Gladson Cameli, que destacou o compromisso da gestão com a segurança dos pedestres na região de fronteira.

Passado mais de um ano, a madeira disponibilizada pelo Imac à administração municipal de Epitaciolândia segue sem utilização. Com o tempo, o material perde qualidade e permanece como um símbolo do descaso do poder público municipal com uma demanda urgente da população. A situação das passarelas, que já somam 240 metros de extensão e apresentavam trechos comprometidos com tábuas e (pranchas) quebradas e faltando, continua se alongando, enquanto a madeira doada para a reforma não é aproveitada.

Condição da ponte preocupa

A Ponte José Augusto de Araújo, estrutura metálica inaugurada em 1986 e também conhecida como Ponte Metálica, enfrenta problemas estruturais que vão além das passarelas. A ponte é a única ligação terrestre entre Brasiléia e Assis Brasil com o restante do Acre, além de conectar Epitaciolândia à fronteira com o Departamento de Pando/Bolívia.

A estrutura, com capacidade limitada e fluxo intenso de veículos pesados, já não atende à demanda atual. Em fevereiro de 2026, após a vazante do Rio Acre, um deslizamento de terra atingiu a cabeceira da ponte em território de Brasiléia, com a erosão avançando a apenas três metros da pista de veículos. O deslizamento alertou para o risco de isolamento de Brasiléia e Assis Brasil, mas não houve avanço significativo na solução do problema.

Nova ponte como solução

Em junho de 2025, o Imac concedeu a licença ambiental para a construção de uma nova ponte em concreto, com 10 metros de largura, duas pistas e passarelas laterais. Orçada em R$ 17 milhões, a obra teria previsão de início em julho de 2025, aproveitando o período de estiagem. No entanto, o projeto enfrenta atrasos e a ponte metálica ainda é a única alternativa para os cerca de 150 mil moradores da região, que inclui a cidade boliviana de Cobija.

A expectativa é que a nova ponte, assim que sair do papel, melhore a trafegabilidade e o escoamento da produção local, além de integrar a região de fronteira . Enquanto isso, a ponte José Augusto segue sobrecarregada e a madeira do governo estadual para a reforma das passarelas permanece sem uso, enquanto a passarela de pedestres expõe a população a riscos diários.

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