Brasileira denuncia violência após ser dopada em La Paz, na Bolívia

Foto: ilustrativa

Uma brasileira identificada como Kiwliks Freitas da Costa, de 28 anos, estudante de medicina na Bolívia, denunciou ter sido vítima de violência durante uma corrida de táxi na cidade de La Paz. O caso foi divulgado inicialmente pelo portal ContilNet.

Natural do Amazonas, a jovem relatou que vive há cerca de três a quatro anos na região de fronteira entre Brasil e Bolívia, onde realiza seus estudos. Segundo o relato, o crime ocorreu após ela sair para ajudar uma amiga. Durante o trajeto, Kiwliks afirma ter aceitado uma bebida e, em seguida, perdeu a consciência.

Horas depois, ela diz ter acordado em um local isolado, sem seus pertences, incluindo documentos e celulares, e com sinais de violência. Desde então, a estudante relata enfrentar dificuldades para obter apoio das autoridades locais e buscar justiça.

Ainda conforme a denúncia, Kiwliks conseguiu rastrear a localização de um dos aparelhos roubados. No entanto, mesmo com as informações em mãos, a polícia não teria realizado ações efetivas para recuperar o celular ou identificar suspeitos.

Crime teria ocorrido durante uma corrida de táxi/Foto: Reprodução

A jovem também afirma que o aparelho foi ligado cerca de uma semana após o crime, em meio a um período de protestos na cidade, quando não havia circulação de veículos devido à escassez de combustível. Para ela, a situação levanta suspeitas de que o responsável tenha aguardado um momento estratégico para dificultar a recuperação.

O rastreamento indicava que o celular estaria em um local conhecido por comercialização e manutenção de aparelhos, possivelmente ligado à revenda de produtos roubados. Kiwliks relata que chegou a ir até a região acompanhada por uma viatura policial, mas, mesmo com a localização apontando o endereço, não houve entrada no local nem recuperação do item.

A jovem informou ainda que procurou a Embaixada do Brasil em busca de apoio, principalmente para a emissão de novos documentos que viabilizem seu retorno ao país. No entanto, segundo ela, a situação ainda não foi regularizada e não há previsão para a volta ao Brasil.

Kiwliks acredita que a repercussão do caso pode contribuir para pressionar as autoridades bolivianas a avançarem nas investigações. Ela também teme que o responsável possa ter feito outras vítimas e que novos crimes venham a ocorrer.

Vítima conseguiu localizar o celular roubado/Foto: cedida

Atualmente, a estudante aguarda os desdobramentos do caso enquanto cumpre exigências legais, como o acompanhamento psicológico solicitado pelas autoridades locais. O caso segue em apuração.

Procurado pela reportagem, o Consulado Brasileiro em La Paz confirmou que a jovem esteve no local e recebeu orientações sobre os procedimentos a serem adotados.

De acordo com o vice-cônsul Caio de Oliveira, do setor consular, a estudante já registrou boletim de ocorrência, etapa considerada fundamental para o andamento do caso junto às autoridades bolivianas.

“O caso de violência e roubo deve ser tratado pelas autoridades bolivianas. Ela já fez o registro da ocorrência e agora precisa de acompanhamento jurídico para dar continuidade ao processo”, explicou.

O representante consular informou ainda que a jovem foi orientada a procurar um centro de atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade, que oferece assistência jurídica gratuita.

“Indicamos um local onde ela pode ter acesso a um advogado sem custos. Com isso, ela poderá ser devidamente orientada tanto sobre o crime quanto sobre os procedimentos legais junto às autoridades locais”, acrescentou.

Em relação à situação migratória, o vice-cônsul destacou que, como o visto da estudante também foi extraviado, será necessário solicitar a segunda via diretamente às autoridades bolivianas responsáveis pela emissão do documento, mediante apresentação do boletim de ocorrência.

Sobre a perda de documentos brasileiros, como RG e CNH, o consulado esclareceu que não realiza esse tipo de emissão no exterior, sendo esses documentos expedidos exclusivamente no Brasil. No entanto, alternativas foram apresentadas para viabilizar o retorno da jovem.

“O consulado pode emitir um passaporte ou a Autorização de Retorno ao Brasil (ARB), que é gratuita e permite o regresso ao país. No caso dela, essa autorização é a opção mais adequada, possibilitando que retorne e providencie a segunda via dos documentos em território brasileiro”, detalhou.

Segundo ele, o documento pode ser emitido de forma rápida, desde que a estudante compareça pessoalmente ao consulado.

“Estamos à disposição para emitir a autorização de retorno. Assim, ela não fica desassistida e consegue voltar ao Brasil para regularizar sua documentação. Já em relação ao processo criminal, ela dependerá do acompanhamento de um advogado junto às autoridades bolivianas”, concluiu.

Com informações Contilnet

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