Anuário Estadual constata queda no desmatamento e aumento das queimadas

Queimadas, geralmente, antecedem desmatamento ilegal. (Foto: Eufran Amaral/Embrapa Acre)

Saiu a segunda edição do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas. O estudo é assinado por Fernanda Fortes Westin, Beatriz Oliveira de Araújo, Kaylanne Belo e Sofia Francalino. Em 119 páginas, o problema das mudanças climáticas é destrinchado em várias áreas da administração pública e privada, com foco detalhado nos setores da agropecuária e análise fundiária; energia e indústria; resíduos; setor de transporte.

O Anuário Estadual de Mudanças Climáticas 2026 é consequência do trabalho do Centro Brasil no Clima (CBC) e do Instituto Clima e Sociedade (ICS), com financiamento do Instituto Itaúsa. Entre os vários temas abordados no estudo, o ac24agro faz o recorte específico na relação entre desmatamento, queimadas e o tão desejado Orçamento Climático.

Cerrado continua sendo o bioma que mais desmata no país. E a Amazônia o que mais queima

Os dados apresentados pelos pesquisadores comprovam, com dados do MapBiomas, o que já tem sido rotineiramente noticiado: o desmatamento caiu, mas as queimadas dispararam. “São dois problemas distintos que exigem políticas distintas”, alerta o anuário. “O desmatamento caiu 32,4% em 2024, atingindo 1,24 milhão de hectares, com redução em cinco dos seis biomas (a Mata Atlântica teve 2% de aumento). Mas as queimadas explodiram: Cerrado (+92%), Amazônia (+68%), Mata Atlântica (+492%) e Pantanal (+176%)”.

Os estados do Mato Grosso e Pará (primeiro e segundo estados, respectivamente, com maiores rebanhos do país) concentraram 46% de toda área queimada do Brasil. Foram mais de 14,2 milhões de hectares. São os dados do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas 2026. “No estado de São Paulo, a área queimada cresceu 1.349%; no Paraná, 912%; no Distrito Federal, 374%”. O estudo constatou que “apenas 6 estados registraram redução nas queimadas: Amapá, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí”.

No Norte, os Incêndios Florestais são a principal causa de desastres (não naturais porque o fogo não faz parte do ecossistema amazônico). Outro desastre regional são as secas e estiagem. Na Amazônia, cada vez mais, os extremos estão fazendo parte da rotina da região.

Os pesquisadores ressaltam que os Planos de Prevenção e Controle do Desmatamento são instrumentos que demonstram certa “maturidade” quando se observa o monitoramento e regulação. O desempenho não é o mesmo em relação às queimadas. E são categóricos: “O contraste entre a queda do desmatamento e a explosão das queimadas é o dado central de 2024: conter a derrubada da vegetação não garante a proteção dos ecossistemas”.

Orçamento Climático é ferramenta que traz agilidade aos Estados

Além de prova de maturidade para a gravidade do tema, o Orçamento Climático traz agilidade às reações dos Estados em relação ao Governo Federal. Formalmente, os estados do Acre, Espírito Santos e Rio Grande do Norte possuem Orçamento Climático. Está institucionalizado.

Para os pesquisadores, a ausência desse instrumento na agenda dos governadores traz prejuízos que já podem ser contabilizados. “O custo da inação já é maior que o custo da ação: só em 2024, os prejuízos por desastres superaram R$ 38 bilhões em todo o país”, asseguram.

Facebook
WhatsApp
Print
Telegram
Email