
Durante o sepultamento em Brasiléia, familiares e profissionais que trabalharam com a médica destacaram sua dedicação aos pacientes e manifestaram indignação com o crime.
A despedida da médica Elyne de Assis Nogueira, sepultada nesta quarta-feira (4), em Brasiléia, foi marcada por manifestações de indignação e pedidos de justiça. Familiares e colegas de profissão aproveitaram o momento para relembrar a trajetória da profissional e destacar a dedicação dela ao atendimento da população.

O médico Francisco Nogueira, ex-marido de Elyne, afirmou que a família sente indignação pela falta de proteção que, segundo ele, a médica precisava ter recebido. Ele relatou que ela procurou os meios legais antes de ser assassinada, incluindo o Ministério Público e pedidos de medidas protetivas.
“Ela foi atrás de todas as medidas legais possíveis. Ela iniciou no Ministério Público, depois buscou um advogado particular porque o Ministério Público não conseguia ir além. Buscou a medida protetiva duas vezes e a Justiça negou as duas vezes”, declarou Francisco.
O médico também destacou o sentimento de indignação e a necessidade de justiça para que outras mulheres não passem pela mesma situação.
“Então o sentimento que fica é muita indignação, raiva e o desejo de justiça. E justiça agora pra ela, mas também pra todas as mulheres futuramente, para que não volte a acontecer isso com mais ninguém”, afirmou.

O tio da médica, Gilson Rabelo, que a considerava como uma filha, destacou o compromisso dela com os pacientes, principalmente moradores da zona rural. Segundo ele, Elyne costumava ampliar o número de atendimentos para evitar que pessoas que percorriam longas distâncias voltassem para casa sem assistência.
“Ela era uma pessoa muito boa, muito maravilhosa, gostava de ajudar as pessoas. Ela atendia crianças, atendia os idosos. E onde ela passava, ela deixava bons rastros”, relembrou.
Gilson também contou que a médica demonstrava preocupação com os pacientes que vinham de comunidades rurais em busca de atendimento.
“Eu não aguento ver as pessoas pobres virem das suas colônias e voltar sem ser atendidas”, contou, ao recordar uma das falas de Elyne.

A nutricionista Janilda Moraes, colega de trabalho da médica, também falou sobre a perda. Ela destacou a humanização e a dedicação de Elyne à profissão, além dos sonhos e projetos que foram interrompidos.
“Falar da Elyne é falar de qualidades, é falar de humanização, é falar de uma profissional dedicadíssima e cheia de sonhos, cheia de projetos, e infelizmente esses sonhos foram interrompidos dessa forma”, afirmou.
Janilda também pediu que a repercussão do caso não seja esquecida e que os responsáveis sejam responsabilizados.
“Que a gente não deixe toda essa repercussão morrer sem que, de fato, aconteça realmente que os acusados, enfim, aqueles que realmente foram os responsáveis por essa situação, paguem por isso”, declarou.
Durante a despedida, familiares, amigos e colegas também fizeram manifestações públicas cobrando justiça pela morte da médica.

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