
A Polícia Civil do Acre e o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) solicitaram nesta terça-feira, 03, a prisão preventiva do procurador municipal Francisco Valadares Neto, apontado como mandante do feminicídio da médica Elyne de Assis Nogueira, de 39 anos, assassinada a tiros em Brasileia, no interior do Acre, na noite de segunda-feira (02).
O investigado está internado no Pronto-Socorro de Rio Branco, para onde foi transferido na tarde desta terça-feira (3), após ser encontrado desacordado em sua residência. A suspeita inicial é de que ele tenha sofrido uma overdose associada ao uso de cocaína e à ingestão de medicamentos. A hipótese ainda depende de confirmação médica.
A informação foi divulgada pelo jornalista Altino Machado, em publicação nas redes sociais. O novo pedido ocorre após duas tentativas anteriores do Ministério Público de obter a prisão do advogado, ambas negadas pelo Juízo Criminal da comarca.
De acordo com as informações divulgadas, a promotora de Justiça Luana Diniz Lírio Maciel, titular da Promotoria Criminal de Brasileia, também solicitou ao Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) os dados de monitoramento da tornozeleira eletrônica utilizada por Valadares. Os registros poderão ajudar a esclarecer os deslocamentos do investigado no período em que o crime aconteceu.
O primeiro pedido de prisão foi apresentado em 25 de agosto, após a médica preencher o Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar), instrumento utilizado para identificar situações de perigo em casos de violência doméstica e familiar contra mulheres.
Em 15 de outubro, o Ministério Público voltou a solicitar a prisão preventiva, apontando descumprimento das restrições impostas ao advogado, episódios de intimidação e agravamento do risco relatado pela vítima. Mesmo com os argumentos apresentados, os dois pedidos foram indeferidos pela Justiça, e Valadares permaneceu em liberdade.
Elyne foi assassinada enquanto estava sentada à mesa, na calçada de um gastrobar, em Brasileia. Ela estava acompanhada de dois homens, uma mulher e uma criança, quando o atirador se aproximou por trás e efetuou dois disparos de revólver contra sua cabeça. O suspeito de executar o crime já foi identificado pela polícia, mas está foragido.
Antes de morrer, a médica chegou a acionar o botão do pânico, dispositivo disponibilizado a mulheres que possuem medidas protetivas e permite o envio de um alerta silencioso à central de monitoramento. O acionamento do dispositivo e os dados da tornozeleira eletrônica poderão contribuir para a reconstrução da sequência dos acontecimentos e para o avanço das investigações sobre o feminicídio.
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