
Por Raimari Cardoso – Portal Acre
O posto da Receita Federal em Assis Brasil movimentou US$ 147,2 milhões em exportações em 2025, consolidando a cidade como um importante ponto de saída de mercadorias brasileiras pela fronteira com o Peru. Desse total, US$ 27,3 milhões correspondiam a produtos de origem acreana, volume equivalente a 27,7% das exportações do estado no período.
Os números fazem parte do estudo Economia e vocações da Microrregião de Brasiléia, divulgado em outubro de 2026 pelo Fórum Empresarial do Acre. O levantamento mostra que o valor das exportações despachadas pelo posto aumentou mais de seis vezes em nove anos: passou de US$ 23,3 milhões em 2016 para US$ 147,2 milhões em 2025. No mesmo intervalo, o volume físico avançou de 12 mil para 61 mil toneladas.
Apesar do crescimento, os dados revelam que a maior parte das mercadorias que deixam o país por Assis Brasil não é produzida no Acre. Apenas 18,6% do valor exportado em 2025 teve origem estadual. São Paulo respondeu por 28,9%, Rondônia por 17,3% e Mato Grosso por 13,2%. Ao todo, produtos de outros estados representaram 81,4% da movimentação financeira registrada.
Outro destaque é o destino das cargas: 90% do valor despachado pelo posto teve como destino o Peru, reforçando a importância da estrutura fronteiriça para o comércio brasileiro com o país vizinho.
Carne suína e castanha
Dentro da parcela de mercadorias de origem acreana, dois produtos concentraram a maior parte das exportações: carne suína, responsável por 60,3% do valor, e castanha-do-brasil, com participação de 34,7%.
O resultado demonstra que o posto de Assis Brasil tem importância não apenas para o trânsito de produtos provenientes de outros estados, mas também para o escoamento de mercadorias produzidas no Acre.
No caso da castanha, o estudo observa que parte do produto acreano é beneficiada em Rio Branco antes de seguir para a fronteira e deixar o país por Assis Brasil. Por isso, o local de despacho não deve ser confundido com o município ou estado de origem da mercadoria.
O levantamento utiliza dados do sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que registra as operações de comércio exterior conforme a unidade da Receita Federal responsável pelo despacho.
Falta de estrutura para caminhoneiros
Mesmo com o crescimento da movimentação, o estudo aponta limitações na infraestrutura de apoio ao transporte de cargas na fronteira. Segundo informações fornecidas pelo prefeito de Assis Brasil aos pesquisadores, carretas brasileiras descarregam mercadorias em áreas de pasto às margens da BR-317, para que caminhões peruanos façam o transbordo e continuem o transporte.
A operação ocorre sem um pátio estruturado e sem serviços básicos de apoio aos motoristas, como oficina, hospedagem e atendimento bancário.
O documento também destaca que a falta de estrutura limita o aproveitamento econômico do fluxo de caminhões que atravessa o município. Entre as propostas apresentadas está a criação de um pátio de apoio ao transporte, com serviços destinados aos profissionais que trabalham nas operações de exportação.
Outro ponto mencionado no levantamento é a concorrência de mercadorias trazidas de países vizinhos e comercializadas sem nota fiscal, situação relatada por uma empresária entrevistada em Xapuri.
Posto de Epitaciolândia registra movimento menor
O estudo também compara a movimentação do posto de Assis Brasil com a unidade de Epitaciolândia, voltada principalmente ao comércio com a Bolívia. Nesse caso, o valor das exportações despachadas caiu de US$ 17,5 milhões em 2018 para US$ 10,4 milhões em 2025.
A análise do Fórum Empresarial aponta que Assis Brasil reúne uma oportunidade de ampliar os serviços ligados ao comércio internacional, mas ressalta que o crescimento das operações precisa ser acompanhado de investimentos em infraestrutura e apoio logístico.
Com a maior parte das mercadorias tendo origem fora do Acre, o desafio para o município é ampliar os benefícios econômicos gerados pelo fluxo de cargas, fortalecendo os serviços locais e criando condições para que a fronteira funcione também como espaço de atividade econômica, e não apenas como corredor de passagem.
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