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Sete em cada dez parlamentares da nova legislatura são contra a agenda ambiental, aponta Observatório do Clima

Foto: Reprodução
Estudo mostra que 68,9% dos congressistas eleitos têm alinhamento baixo ou muito baixo com pautas de clima e meio ambiente; Senado piora e chega a 79% de baixa convergência

Com assessoria 

Nova composição do Congresso tem 68,9% de baixa convergência ambiental, aponta estudo

A partir de 2027, senadores e deputados federais que assumem para compor a 58ª Legislatura (2027-2031) trabalharão distantes da agenda ambiental e climática. Na nova composição, sete em cada dez parlamentares são contra a agenda socioambiental.

A conclusão é de análise feita pelo Observatório do Clima sobre o índice de convergência ambiental, que mede o alinhamento da atuação e os votos dos congressistas com a pauta de clima e meio ambiente.

Metodologia

A metodologia do Instituto Democracia e Sustentabilidade adota quatro faixas para a medição conforme o percentual de alinhamento:

  • Muito baixa: 0 a 25%;
  • Baixa: 26 a 50%;
  • Boa: 51 a 69%;
  • Muito boa: 70 a 100%.

Com os novos eleitos, o índice de convergência nas duas Casas do Congresso Nacional é 68,9% baixo ou muito baixo. Na faixa muito baixa, são 201 (33,8%) congressistas e na faixa baixaaparecem 208 (35%).

Nas faixas alinhadas às pautas de clima e socioambiental, 52 (8,75%) parlamentares foram classificados na faixa boa e outros 133 (22,4%) na faixa muito boa.

Risco de retrocessos

A coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, avalia que esse cenário coloca em risco parte importante da proteção ambiental do país, com possíveis retrocessos como:

  • Enfraquecimento da atuação dos órgãos ambientais;
  • Anistia a grileiros;
  • Diminuição da proteção às florestas e biomas brasileiros.
Senado

Apenas no Senado, o índice é 79% baixo ou muito baixo, com 64 dos 81 senadores da próxima legislatura com pouquíssimo ou nenhum alinhamento às pautas como iniciativas de conservação, enfrentamento das mudanças climáticas e adaptação das cidades, por exemplo.

Apenas 17 senadores, o equivalente a 21%, estão nas faixas boa ou muito boa de convergência, sendo 12 (14,8%) na faixa boa e apenas 5 (6,1%) na faixa muito boa.

Na comparação com a legislatura que encerrará este ano, o Senado aumentou o distanciamentodas pautas ambientais, crescendo de 58 (71,6%) para 64 (79%) dos senadores com índice de convergência ambiental baixo ou muito baixo.

Câmara

Dos 513 parlamentares que integrarão a Câmara dos Deputados, 67,3% estão nas faixas baixa ou muito baixa, somando um total de 345 deputados e deputadas federais. Estão na faixa boa 40 (7,8%) e muito boa 128 (25%).

Na avaliação do Observatório do Clima, a piora decorre do crescimento de partidos de extrema direita nas Casas, que historicamente apresentam convergência ambiental muito baixa.

O Partido Liberal (PL), por exemplo, passou de 15 para 28 cadeiras (34,6%) no Senado e de 98 para 121 deputados federais (23,6%) na Câmara.

“Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam em clima e meio ambiente, e muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática”, destaca Suely Araújo.

Além da plataforma Farol Verde, do Instituto Democracia e Sustentabilidade, a análise fez uso de fontes oficiais como Câmara, Senado, assembleias legislativas e governos para classificação de parlamentares eleitos ainda sem classificação no índice de convergência ambiental.

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