Três meses após queda, escombros da ponte Frei Paolino ainda obstruem o Rio Iaco e perícia segue sem conclusão

Foto: Reprodução
Acidente em Sena Madureira deixou quatro feridos e expôs riscos de erosão conhecidos; MP cobra respostas, Justiça bloqueou R$ 36 milhões da construtora, e população segue dependendo de rotas alternativas

Neste sábado, dia 5, três meses após o desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari, em Sena Madureira, os escombros da estrutura seguem no Rio Iaco, obstruindo a passagem de quem depende do manancial para se deslocar. O acidente ocorreu na noite de 5 de junho, com quatro pessoas sobre a estrutura — entre elas o juiz aposentado Edinaldo Muniz, que segue internado em São Paulo. A ponte, inaugurada em dezembro de 2023 com custo de R$ 36 milhões, já estava interditada desde o dia anterior por risco de desabamento.

Em agosto, o Ministério Público do Acre (MP-AC) instaurou um inquérito civil para investigar as causas e responsabilidades ligadas ao desabamento. Um dos pontos destacados no documento é que o risco de erosão na área onde a ponte foi construída — fenômeno conhecido como “terras caídas” — já era conhecido antes do desmoronamento. O MP também aponta possíveis omissões do Estado na fiscalização da obra.

O MP-AC expediu ofícios requisitórios para a Polícia Civil, o Tribunal de Contas do Acre (TCE-AC) e setores internos do próprio MP, e ainda aguarda relatórios. O laudo pericial, que deve apontar as causas do acidente, segue sem previsão de conclusão. O delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Paulo Buzolin, voltou a confirmar que a perícia é complexa e necessita de diversos estudos e equipamentos, por isso ainda não foi concluída. A complexidade técnica e a necessidade de precisão têm sido apontadas como as principais razões para a demora.

A Construtora Cidade, responsável pela obra, afirmou que a ponte foi entregue sem falhas e atribuiu o acidente à instabilidade do terreno, recomendando a interdição um dia antes do colapso. A empresa também declarou que nunca havia enfrentado caso semelhante em quase 60 anos de atuação. Enquanto isso, a Justiça determinou o bloqueio de bens da construtora em até R$ 36 milhões para garantir a reparação dos danos.

A Polícia Civil mantém três delegados da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) no caso e já prorrogou as investigações. Com os escombros ainda no rio e a perícia em andamento, a população de Sena Madureira continua enfrentando as consequências da interrupção de uma das principais vias de ligação da região.

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