Bloqueio de professores bolivianos prejudica estudantes brasileiros que atravessam diariamente a fronteira em Cobija

Foto: Eldson Júnior

O bloqueio realizado por professores bolivianos nesta terça-feira (12) em Cobija, cidade que faz fronteira com o Acre, afetou diretamente a rotina de estudantes brasileiros que atravessam diariamente a fronteira para frequentar universidades no país vizinho.

Logo nas primeiras horas da manhã, alunos precisaram atravessar a ponte internacional caminhando, já que os acessos e pontos estratégicos da cidade foram interditados durante a mobilização organizada pela categoria.

O protesto faz parte de uma paralisação nacional promovida por sindicatos de professores da Bolívia. Em Pando, educadores de diferentes municípios e distritos participaram do movimento reivindicando aumento salarial, atualização gradual dos vencimentos e mudanças no financiamento da educação pública.

Foto: Eldson Júnior

Segundo a representante da Federação Departamental de Pando, Cecilia Pamela Terrazas Merubia, a mobilização deve continuar caso o governo boliviano não apresente respostas às reivindicações.

“Queremos aumento salarial e também que seja anulada a proposta do 50/50 que o governo quer aplicar aos professores. Pedimos ainda a renúncia da ministra da Educação e o cumprimento da pauta de reivindicações apresentada pela categoria”, afirmou.

Enquanto os professores mantinham os bloqueios, estudantes brasileiros enfrentavam dificuldades para chegar às instituições de ensino.

Foto: Eldson Júnior

O estudante Weslen relatou que os transtornos já se tornaram frequentes para quem depende diariamente da travessia entre Brasil e Bolívia.

“Realmente fica difícil, porque a gente precisa ir para a faculdade e esses bloqueios acontecem frequentemente. Muitas vezes precisamos pegar mototáxi ou táxi para conseguir chegar. Tivemos que deixar moto e carro do lado boliviano e ainda fica o medo de roubo ou furto”, disse.

Foto: Eldson Júnior

Outro estudante afetado pela paralisação foi Antônio Ferreira, que precisou deixar o veículo estacionado e seguir o restante do percurso a pé.

“É uma situação muito constrangedora. Temos que deixar nosso transporte aqui e seguir a pé. A gente não sabe quanto tempo esse paro vai durar e fica de mãos atadas, sem saber o que fazer”, comentou.

Além do transtorno no deslocamento, os estudantes também reclamam da falta de informações sobre a duração dos bloqueios, o que dificulta o planejamento da rotina acadêmica e gera preocupação principalmente com a segurança dos veículos deixados próximos à fronteira.

Os professores bolivianos afirmam que o bloqueio deve continuar até que o governo apresente uma resposta oficial às reivindicações da categoria.

Foto: Eldson Júnior
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