
O Acre registrou menos focos de queimadas em 2026 do que no ano passado, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira (26) pelo governo estadual. Entre 1º de janeiro e 25 de outubro, foram contabilizados 2.113 focos, número ligeiramente inferior aos 2.150 do mesmo período de 2025. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O levantamento da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), com base no satélite de referência AQUA Tarde, aponta Feijó como o município com mais focos no acumulado do ano, com 421. Tarauacá aparece em seguida, com 329, e Sena Madureira, com 177. Em outubro, entre os dias 1º e 25, foram 672 focos no estado. Nesse intervalo, Tarauacá lidera, com 85, seguido por Feijó, com 75, e Cruzeiro do Sul, com 70.
O secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, atribuiu a queda à integração entre planejamento, prevenção e combate aos incêndios florestais. “Temos registrado uma redução significativa dos focos de calor em comparação com o mesmo período do ano passado, o que demonstra a importância de fortalecer as ações de monitoramento, fiscalização e combate aos incêndios florestais”, afirmou. Ele alertou que é necessário manter a atenção nos próximos meses e dar continuidade ao trabalho conjunto entre poder público e comunidades.
Brigadas comunitárias
O Programa de Brigadas Comunitárias nas Unidades de Conservação estaduais é coordenado pela Sema, em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC). Atualmente, 50 brigadistas trabalham em áreas estratégicas dessas unidades.
Os brigadistas realizaram 102 operações e atingiram 1.018 pessoas em atividades de prevenção e combate. Foram 34 operações de combate direto ao fogo, 68 ações preventivas e 37 operações integradas com os Bombeiros. A equipe também recebe capacitação para usar drones na identificação de áreas atingidas, o que, segundo o governo, amplia a capacidade de resposta e aumenta a segurança das equipes.

Em agosto, o Estado promoveu o 1º Intercâmbio de Brigadistas Comunitários e Manejo Integrado do Fogo, em parceria com o Earth Innovation Institute (EII). O evento reuniu representantes de instituições do Acre, de Tocantins e do Peru para trocar experiências e discutir estratégias de prevenção e combate.
Monitoramento
O Centro Integrado de Inteligência, Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma) acompanha os dados sobre focos de calor e as condições de risco, o que permite antecipar as ações. Outra ferramenta é o Índice de Prioridade de Incêndio (IPI), que define as áreas prioritárias para prevenção e combate e levou à identificação de seis municípios para receber as ações.
Em 2026, o Corpo de Bombeiros passou a operar o Vigia-AC (Vigilância, Inteligência, Geoinformação, Integração e Alerta do Acre). A plataforma reúne monitoramento por satélite, análise de risco e acompanhamento de áreas desmatadas e queimadas. Entre 1º e 22 de setembro, o sistema registrou 5.743 ocorrências de fogo no estado. Das 3.661 já verificadas por imagens de alta resolução, 3.444 foram confirmadas como fogo real. Menos de 1% dos registros analisados foi descartado como falso alarme.
Fiscalização e educação ambiental
O Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) mantém equipes de fiscalização nos municípios com maior incidência de queimadas e desmatamento: Rio Branco, Feijó, Tarauacá, Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Senador Guiomard. O foco é a prevenção e o combate a infrações ambientais ligadas ao uso irregular do fogo. O órgão também realiza ações de educação ambiental com comunidades e com o setor produtivo, sobre os impactos das queimadas, as mudanças climáticas e as alternativas ao fogo.
O presidente do Imac, André Hassem, disse que o trabalho vai além da fiscalização. “Nosso trabalho envolve fiscalização, prevenção e educação ambiental, porque combater o fogo não significa apenas fiscalizar, mas também orientar e conscientizar a população sobre os impactos das queimadas e as alternativas ao uso do fogo”, declarou.
Emergência ambiental
Em agosto, o governo publicou o Decreto nº 11.932/2026, que declarou situação de emergência ambiental em todo o estado por 180 dias. A medida considera o risco de seca severa e de desabastecimento hídrico associados ao fortalecimento do El Niño.
Como complemento, o Imac suspendeu a emissão de autorizações para queima controlada em todo o território estadual enquanto o decreto estiver em vigor. Casos excepcionais serão avaliados pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente e Floresta (Cemaf) e pelo Grupo Operacional de Comando e Controle.
O Estado também elabora o Plano de Manejo Integrado do Fogo do Acre (PMIFAC). As etapas de diagnóstico, mapeamento territorial e avaliação de riscos estão concluídas, e os trabalhos se concentram no planejamento das ações preventivas e operacionais.
Participam das ações o Imac, a Sema, o Corpo de Bombeiros Militar, a Polícia Militar, por meio do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA), a Secretaria de Agricultura e as secretarias municipais de Meio Ambiente. O governo federal atua por meio do Centro Nacional de Proteção e Prevenção a Incêndios (Prevfogo) e da Força Nacional.
Rebeca, o texto original traz inconsistências: cita 2.113 focos, enquanto o infográfico da Sema indica 2.133, e informa queda de 17,2%, mas 2.113 contra 2.150 equivale a cerca de 1,7%. Por isso omiti o percentual e usei o total do texto. Vale confirmar com a Sema antes de publicar.
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