
Área equivale a 1.520 hectares, ou cerca de 2.129 campos de futebol, e representa 13,7% do desmatamento em todas as unidades de conservação federais da Amazônia Legal; apesar do resultado, desmatamento nessas áreas é o menor desde 2008
Com assessoria
A Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, registrou 15,2 quilômetros quadrados de desmatamento em 2026 e aparece como a terceira unidade de conservação federal com maior área de floresta derrubada na Amazônia Legal. O resultado consta de levantamento foi divulgado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com base nos dados do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A área desmatada na reserva acreana equivale a 1.520 hectares, ou aproximadamente 2.129 campos de futebol. O resultado representa 13,7% dos 111 quilômetros quadrados de desmatamento registrados em todas as unidades de conservação federais da Amazônia Legal em 2026.
O levantamento mostra que a Reserva Chico Mendes ficou atrás apenas da Floresta Nacional de Altamira, no Pará, que registrou 27,8 quilômetros quadrados de desmatamento, e da Área de Proteção Ambiental do Tapajós, também no Pará, com 16,2 quilômetros quadrados. Na quarta posição aparece a Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, com 12,1 quilômetros quadrados, seguida do Parque Nacional do Juruena, localizado entre Mato Grosso e Amazonas, com 5,4 quilômetros quadrados. Juntas, essas cinco unidades concentraram aproximadamente 69% de todo o desmatamento identificado nas áreas federais de conservação da Amazônia.
Apesar da pressão registrada em determinadas unidades, o desmatamento nas áreas protegidas federais da região atingiu em 2026 o menor nível desde o início da série histórica, em 2008. Segundo o ICMBio, foram desmatados 111 quilômetros quadrados, contra 134 quilômetros quadrados em 2025. A redução foi de 17,2%, correspondente a 23 quilômetros quadrados de floresta preservados na comparação entre os dois períodos.
A diminuição é ainda mais expressiva quando considerado o ano de 2021, que apresentou o maior índice da série histórica, com 618 quilômetros quadrados de desmatamento dentro das unidades federais. Entre 2021 e 2026, a área desmatada caiu 82%, uma diferença de 507 quilômetros quadrados.

Na Amazônia Legal como um todo, o desmatamento apresentou redução de 41,81% em 2026, passando de aproximadamente 5.731 quilômetros quadrados no período anterior para 3.335 quilômetros quadrados. Desse total, apenas 3,3% ocorreram dentro das unidades de conservação federais, conforme os dados do monitoramento.
O presidente do ICMBio, Mauro Pires, afirmou que os resultados demonstram a importância das áreas protegidas para a conservação ambiental e a segurança das populações. “Isso significa que o nosso país tem, nas unidades de conservação, um polo de conservação propriamente, mas também um polo de proteção da vida. Quanto mais unidades de conservação, mais a vida das pessoas está protegida. Significa também que ativos econômicos e o nosso patrimônio ficam resguardados para as próximas gerações”, declarou.
O coordenador-geral de Proteção do ICMBio, Ricardo Brochado, destacou que a redução do desmatamento está associada ao fortalecimento das ações de fiscalização e ao uso de informações técnicas para identificar as regiões mais pressionadas. “Entre 2019 e 2022, houve um crescimento expressivo do desmatamento e, a partir de 2023, uma redução gigantesca”, afirmou. Segundo ele, o monitoramento por satélite permite direcionar operações de fiscalização para os pontos de maior pressão ambiental, combinando ações remotas e presenciais.
O ICMBio administra aproximadamente 150 unidades de conservação federais na Amazônia, responsáveis pela proteção de mais de 64 milhões de hectares.
A Reserva Extrativista Chico Mendes, criada em 1990, possui aproximadamente 931 mil hectares e abrange áreas de sete municípios acreanos: Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolândia, Xapuri, Capixaba, Sena Madureira e Rio Branco. A unidade foi criada para proteger os recursos naturais e assegurar condições de vida às populações extrativistas, especialmente comunidades tradicionalmente vinculadas à produção de borracha, castanha e outros produtos florestais.
Os 15,2 quilômetros quadrados desmatados em 2026 correspondem a aproximadamente 0,16% da área total da reserva. Embora proporcionalmente pequena em relação à extensão da unidade, a área derrubada colocou a Reserva Chico Mendes entre os cinco territórios federais mais atingidos da Amazônia Legal no período analisado. O levantamento do ICMBio não apresentou, na divulgação, uma comparação específica entre os índices de desmatamento da reserva acreana em 2025 e 2026.
Os resultados foram elaborados pela Divisão de Monitoramento Geoespacial da Coordenação-Geral de Proteção do ICMBio, utilizando informações do Prodes/Inpe, sistema oficial de acompanhamento anual do desmatamento por corte raso na Amazônia brasileira.
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